Sobre a relação entre mulheres e futebol

Hoje o nosso assunto é o futebol feminino. A gente recebe a professora aqui da UFPE, Cecília Almeida, pra conversar um pouquinho sobre o e-book que ela lançou junto com outras pessoas.

A gente vai conversar um pouquinho sobre quem foram as autoras do livro, as organizadoras E ele se chama “Elas e o futebol” – Tudo bom, professora? – Tudo bom, Eliza Obrigada pelo convite Um prazer recebê-la aqui Então, que a gente conversasse um pouquinho primeiro sobre o livro.

Qual é qual é futebol não é pra mulher?

Ele foi lançado agora dia 10. Na verdade, o e-book “Elas e o futebol“.

O que é que vocês trazem nesta publicação?

Bom, a gente Eu e a professora Soraya Barreto, também do departamento de comunicação e Larissa Brainer, que é jornalista e coordenadora da ONG Lovefútbol, coordenadora de comunicação, a gente se reuniu por esse interesse em comum no futebol de mulheres.

E a gente, no ano passado, se reuniu pra tentar fazer essa chamada de trabalhos, pra receber artigos de várias pesquisadores que estivessem trabalhando com futebol de mulheres pelo Brasil. A gente abriu a chamada ano passado, recebemos uma boa quantidade de material sobre várias temáticas, tanto o futebol feminino, a diferença da visibilidade midiática, ao futebol feminino em relação ao masculino, por exemplo. Que o futebol feminino quase não aparece em relação ao masculino.

A gente quase não fica sabendo quando são as competições. Exceto esse ano agora, com a Copa do Mundo Feminina, a gente está vendo alguma diferença acontecer.

Mas, antes disso, pouco se falava sobre futebol de mulheres. E estamos no país do futebol, não é?

Um país que é apaixonado por futebol, que respira futebol, mas onde pouquíssimo se fala sobre futebol de mulheres. E aí, também, pegando o gancho da Copa do Mundo, do Mundial da França, a gente quis chegar com essa publicação pra fomentar mais esse debate, tanto academicamente, como com a participação de mulheres que vivem o futebol na prática.

Então, não é só um livro com artigos científicos, mas também tem uma parte do livro toda dedicada a relatos de experiência: que são histórias de mulheres que têm uma proximidade com o futebol e que contam essas histórias numa forma mais livre Mais próxima do ensaio e menos do artigo.

E vocês dividiram o livro de uma forma em que começa com a defesa e depois vai para o ataque.

Por que essa ideia? O que é que a gente pode encontrar em cada uma das seções?

Acabou que, coincidentemente, a gente fechou o material em 11 artigos E aí 11, assim como a escalação de um time.

A gente fez essa divisão dos artigos científicos ficarem na defesa e os relatos de experiência ficarem no ataque. Essa primeira parte da defesa é, justamente, onde estão as pesquisas científicas, acadêmicas, relacionadas ao futebol de mulheres. E o ataque é essa outra seção, onde a gente vai encontrar relatos de mulheres que estão atuando na prática pra contribuir com o fortalecimento da modalidade. Muito legal. E a gente conversou um pouquinho agora.

Futebol e mulher

Está na Copa do Mundo, o momento foi perfeito para o lançamento, mas assim. É a primeira Copa que está sendo transmitida em TV aberta no país, então isso já prova como futebol feminino é realmente discriminado.

Como é que vocês encaram esse fato? E tá havendo uma mudança? Ou não ainda? Está havendo uma mudança?

A gente já pode afirmar que essa Copa é a Copa que está fazendo história na história dos mundiais do futebol de mulheres.

É a primeira Copa que está sendo falada nessa proporção. Nunca antes houve uma preocupação tanto do público como na mídia de discutir o futebol feminino nessa proporção que a gente está vendo agora.

Teve o jogo Brasil x Jamaica na estreia do Brasil, que foi transmitida pela Rede Globo, e houve um aumento de mais de 300% no interesse de pesquisa das pessoas sobre a seleção feminina e sobre a Copa do Mundo Feminina. Então essa já é uma Copa histórica.

Vamos ver também o que vai acontecer daqui pra frente, como é que a modalidade vai ser tratada daqui por diante Mas já podemos dizer que tem uma diferença, sim, nessa Copa agora.

E como é que a gente pode encarar a origem dessa discriminação em relação ao futebol feminino? Quais as raízes históricas pra que essa discrepância seja tão abismal?

Aqui no Brasil existe um fato histórico que é a interdição explícita do futebol para mulheres por 40 anos. Na Era Vargas e no Regime Militar haviam decretos que proibiam, efetivamente, a prática de futebol para mulheres. Isso só vem a ser liberado nos anos 80.

Então é uma modalidade que começa a se desenvolver com muito atraso no Brasil em relação ao masculino. E isso vai ter reflexos em todas as áreas Na área cultural, naquela ideia de que o futebol não é um esporte para mulheres Isso ainda é muito forte, né?

De que a mulher vai se masculinizar se ela praticar o futebol e praticar esportes de contato. Então isso ainda é um aspecto cultural muito forte e aos poucos ele vai sendo vencido, mas a gente tem aí um longo tempo para correr atrás.

Um prejuízo histórico muito grande em relação a categoria masculina que pôde se desenvolver livremente. Então a gente não vai ter muito investimento na base do feminino, não vai ter muito investimento de clubes. Essas mulheres que a gente está vendo agora representando a Seleção Adulta Feminina muitas não estão jogando desde a base.

Futebol mulher e rock n roll

Elas já começaram a jogar adultas. Então a gente vê a diferença, né? No jogo, inclusive, quando a gente observa um jogo do masculino e do feminino. Muito por conta dessa falta de investimento e de preocupação desse incentivo de que as meninas comecem a jogar desde muito cedo. É verdade Até a questão do patrocínio.

A gente vê o que Marta fez com a questão da chuteira. Tudo isso é consequência também dessa defasagem histórica, né Cecília? Isso A Marta fez este protesto usando uma chuteira sem patrocinador com um símbolo que pedia igualdade entre gêneros e disse que só receberia patrocínios quando começasse a ser o mesmo valor que as marcas pagam para os homens para as mulheres também.

E existe todo um senso comum de que o futebol feminino não dá público, não tem a mesma visibilidade, o mesmo interesse do público em relação ao masculino mas agora com a Copa do Mundo a gente já está vendo que não é bem assim. Que se esse espaço for dado, que se o incentivo for dado o interesse existe, mas a categoria também precisa ser fortalecida para que a gente possa ter esse interesse do público fortalecido também.

Perfeito. Realmente, a gente só consome o que a gente tem acesso, não é verdade? Quem quiser encontrar o e-book, o que é precisa fazer? Ele está disponível no site da editora: editoraxeroca.com.br. Disponível gratuitamente. É só acessar e vocês já podem fazer o download.

Greent

Editor-chefe do Botafogo Defesa Futebol Clube. Sou apaixonado pelo meu time Botafogo e criei esse blog para compartilhar informações e novidades sobre o Glorioso Botafogo. Indico seguir nas redes sociais: https://www.facebook.com/botafogodefesa/ - https://twitter.com/BotafogoDf2